A utopia dos pessimistas

      Algumas pessoas foram agraciadas com o dom de sentir a essência da realidade, projetar sonhos audaciosos, mudar o mundo. Mas há algo em comum entre esses, algo talvez único, que apenas pessoas assim conseguem desenvolver, algo que possibilita-os estar sempre à frente de sua geração, sempre com um pensamento diferenciado, que em sua essência, os tornam diferentes e capazes de mudar não apenas o seu próprio mundo, mas também o mundo de todos os outros indivíduos.

     Por muitas das vezes, são considerados pessimistas ou nos casos extremos, como loucos. Mas a verdade é que a necessidade humana em tornar  tudo como classificável os intriga e os coloca em uma busca incessante por um padrão; um padrão que nunca será encontrado, pois é impossível padronizar um pensamento que se tornou diferente de toda a sua geração.

      Viver me faz tão mal! Em todas as esquinas sempre há algo que eu me apaixone e me deixe mal… Será que são as coisas que são apaixonantes ou eu que sou desesperadamente vazio e preciso de qualquer uma delas?

      Viver é tão injusto! Estar disposto a amar com tudo o que tem, mas sempre ser deixado para trás, sendo ferido por sentimentos individuais e fantasiosos, esperando por alguém que nunca chegará, que nunca estará disposta a retribuir com tudo o que tem… Se ferindo com saudades de um passado que nunca existiu, amando alguém que não existe, se completando com fantasias de pessoas que nem sabem da minha existência… Se existe algo chamado de destino, talvez o meu seja ser um eterno poeta sofredor.      

      Se realmente existir um destino, é algo cruel. Somos jogados a própria sorte sem ter a chance de muda-lo; o de alguns acabou tão cedo que nem tiveram a chance de perceber que um dia tudo muda. Estamos destinados a viver nesse eterno enigma: a felicidade está em nós ou em preencher os nossos vazios?

Utopia

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