Metapoema

De quando em quando,
Perguntam-me na fila do pão,
à beira mar,
diante de uma taça de vinho,
seco.
Perguntam-me: O que é a poesia?
Eu, que sempre fui de detestar definições,
Fiquei a pensar

Minhas conexões neurais,
Ah,
Nem se quer responderam
Porque a poesia é um tiro no escuro,
é o silêncio das batidas do meu coração camufladas pelos seios,
é analgésico sem prescrição médica,
é um perigo,
é um grito no meio da mata fechada
que ecoa no nada,
a poesia é, assim,
um nada, um tudo,
coisa indecifrável.

Pouco para o seu diploma,
Muito para a nossa alma.
Ah, poesia,
Por que não vens me ver de quando em vez?

Às vezes, você parece um sujeito,
estimado, às vezes odiado,
porque eu sinto saudade de você,
Quando a vida me tira o chão,
Você surge,
E me diz “Ei, garotinha, quer conhecer a realidade?”

A gente surta,
mas,
ah, a poesia,
Acalenta e espanca.

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