O Google está mudando como você pensa

Antes da internet, quando você reunia um determinado número de membros em um grupo e começava  a discutir sobre algo em especifico como fazer um churrasco, por exemplo, cada membro do grupo se encarregava de fazer algo especifico.

Quem comprará a carne?

-Deixa isso com o João, ele entende mais disso.

Quando uma nova situação acontece, nós comunicamos no nosso grupo de convívio especialistas sobre o assunto. Quando precisamos de uma informação mais especifica sobre computação, por exemplo, ligamos para um amigo que entende sobre o assunto. Esse fenômeno é conhecido como memória transativa, que faz com que colocamos informações em indivíduos para aliviar nossa carga, isso faz que nós acabamos depositando a responsabilidade para eles. Nós não precisamos lembrar daquela informação especifica porque o individuo que você depositou sabe.

Nos dias de hoje isso mudou, com a chegada da internet nós passamos a ela essa responsabilidade.

É possível dizer que no quesito armazenamento e organização de informações o nosso cérebro virou coisa pequena perto de grande servidores. A internet se tornou algo com capacidade praticamente infinita de armazenar informações e pode disponibilizar isso em segundos.

Hoje então quando se faz uma busca nós não vamos mais atrás do nosso amigo “especialista” e sim no Google. Isso faz com que ele se torne parte de nós e ao longo do tempo deixamos de lembrar as coisas que estão gravadas lá.

“Por que eu preciso lembrar uma informação se eu tem como eu resgatar rapidamente com uma busca?” E esse pensamento está se tornando cada vez mais involuntário.

Foi feito um experimento, onde um grupo de pessoas tinha como tarefa transferir para o computador 40 fatos. Para a metade dessas pessoas foi dito que esta tarefa iria ser salva e para outra metade disse que esta tarefa iria ser deletada do computador. Outra divisão foi feita neste grupo e continham pessoas que sabiam que a informação seria deleta e outras que sabiam que não seria deletada, para esta divisão foi pedido que se decorasse o que se estava escrito.

As pessoas que sabia, que a informação seria salva no computador tiveram mais problemas para se lembrar as informações que foram perguntadas depois. Eles trataram o computador como sua memória transativa, ou seja, um individuo confiável para depositar suas informações.

Isso também aconteceu com aquela parte que foi pedido para que se decorasse as informações, pessoas que sabiam que a informação seira salva tiveram mais dificuldades para se lembrar.

A tendencia é só continuar, quanto mais tempo se passa os mecanismos de buscas como o Google ficam cada vez mais inteligentes e isso faz com que passamos a ficar dependente desse tipo de tecnologia.

Referências:

How Google Is Changing Your Brain or The Internet Has Become the External Hard Drive for Our Memories. By Daniel M. Wegner, Adrian F. Ward. Disponível em: (http://www.scientificamerican.com/article/the-internet-has-become-the-external-hard-drive-for-our  memories/) ou (http://www.nature.com/scientificamerican/journal/v309/n6/full/scientificamerican1213-58.html)

Transactive Memory: A Contemporary Analysis of the Group Mind : Daniel M. Wegner in Theories of Group Behavior. Edited by Brian Mullen and George R. Goethals. Springer, 1986.

Google Effects on Memory: Cognitive Consequences of Having Information at Our Fingertips. Betsy Sparrow et al. in Science, Vol. 333, pages 776–778; August 5, 2011.

Artigo baseado no Canal Eu, Ciência no vídeo “O Google está mudando o seu Cérebro”  Disponivel em: (https://www.youtube.com/watch?v=nSwYmyls5-A)

Add a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *