Soledade

Blocos de carnavais não passam de finais sem confirmação. Encerram inquietas nas cinzas de uma quarta-feira escura, meio da semana sem muitos planos, onde deliram os olhos após tanta dança, tanto cansa, tanta gente. Desagradou em meio ao desatino, andou pelos blocos e pelas ruas, enxergou na multidão marionetes regradas, regadas com tango castelhano. Cresceu e repassou, intrigou o intangível… Atingiu notas fora de trilhos, bailou conforme o presto. Se entregou.

Na sexta era além-mar, na terça era desamor. Onda que passou e embananou… Encheu d’água os olhos lisos, sem culpa mas não inocentes. Sem graça mas não indigentes. Escondidos numa fantasia de profissão os desejos de um pseudo-profissional; ali poderia ser tudo que desejasse, o ferro quente que queima e marca a pele, a espada estridente perfurante e inconsciente, ou a graça indagada, o batente. Fecha com cadeado a caixa das suas surpresas e volta a trabalhar, engole seco o pão seco. Derruba um pouco de café nas suas engrenagens e sorri contente… Dentes amarelados, sorrisos sem dentes.

Retira uma fantasia para colocar outra. Ontem era bombeiro, paciente, menestrel, seresteiro intransigente… Hoje apenas um docente, gente como a gente.

 

Por Danilo Kovacs

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