Um Deus caído (ou derrubado).

Epicuro de Samos
Epicuro de Samos

Aqui trago ao leitor do O Vira Mundos uma questão a se refletir e, se possível, debatermos.
Mas antes de começarmos a falar sobre o tema em si do artigo, acho que deveríamos conhecer um pouco sobre Epicuro, o filósofo da felicidade.
Epicuro nasce por volta de 340a.c. e morre por volta de 270a.c. na Ilha de Samos, leste do mar Egeu na Grécia, estando com seus pés a tocar esse paneta por volta de 70 anos.
Foi discípulo de Demócrito, este que se fez um dos primeiros exponentes da teoria atômica ou do atomismo, na Grécia antiga. Um dos filósofos que explica as coisas sem necessariamente pôr os Deuses no âmbito, influenciando Epicuro posteriormente.
Basicamente o que o Epicuro vai discutir é a felicidade, direcionada mais para o que é palpável.
Ele trazia três pontos a alcançar, fugindo da fantasia e encarando a realidade com o pensamento lógico e sempre deixando bem claro que a filosofia e a reflexão eram extremamente importantes. O saber, o conhecimento, alimentam a alma.

“Seja velho ou novo, o homem sempre deve alimentar a alma.”

Os três pontos se dividiam na compreensão dos Deuses e assim o não sofrer por causa dos mesmos, a compreensão da morte e assim o não sofrer por causa da morte, e por fim a compreensão dos desejos e assim o não sofrer por causa dos desejos. Buscando a felicidade plena enquanto vivo.
No conceito de felicidade que muitos filósofos buscaram e definiram, de formas diferentes, Epicuro vai delinear a busca por ela nos pequenos momentos da vida, prazeres moderados baseando-se, também, na realização de desejos. Assim, no Epicurismo, as pessoas devem ser prudentes, gentis e devem viver de forma agradável sendo justas nas suas atitudes e pensamentos enquanto estão vivas.
“A ideia é aproveitar os pequenos deleites da vida. A amizade, bons momentos de serenidade, um gole de água fresca, um passeio com a pessoa amada ou apenas fazer o bem.” – Diz Flávio Croffi do site Update or Die!, sobre o Epicurismo. Parece ótimo, não?

Agora que conhecem um pouco mais nosso filósofo e resumidamente seu conceito de felicidade plena, não vão o considerar simplesmente um descrente, muito pelo contrário, Epicuro era um deísta, ou seja, ele acreditava em uma consciência maior, ou ser superior porém esse ser não estava exatamente preocupado com assuntos humanos. Mas estejam atentos pois interpretação de Deus pode variar para cada Deísta.

Partindo da abstenção das explicações, porquê em sua época aquilo que não podia ser explicado logicamente era diretamente atribuído a um Deus e esse Deus julgava os humanos de acordo com suas ações favorecendo-os ou não. Epicuro questionaria o divino e se seres dessa magnitude poderiam ser corruptíveis, como algumas vezes se apresentavam, isso gera uma discussão longa e para outro artigo, mas podemos tirar disso o inicio do questionamento.

Vamos ao paradoxo atribuído a Epicuro: O Paradoxo de Epicuro, assim denominado. Que tenta colocar em xeque a existência de um deus como imagina-se.
Como era de se esperar, ele combate o Divino com a lógica, em um dilema sobre o problema do mal, questionando a existência de um Deus que seja ao mesmo tempo onisciente, onipotente e onibenevolente.
A explicação consiste na lógica de tais termos: se aos pares forem verdadeiras excluem a terceira característica. Isso refuta a ideia de um deus que possua as três características ao mesmo tempo.
Sendo assim:
– Enquanto onisciente e onibenevolente sabe de tudo o que existe e de todo o mal(onisciência), e ao mesmo tempo quer acabar com este(onibenevolencia), mas não o faz, concluí-se que não é capaz, não é onipotente.
– Enquanto onipotente e onibenevolente possui o poder para acabar com o mal, por ser onipotente, e possui a vontade de fazê-lo, pois é onibenevolente, mas não o faz, concluindo-se por não conhecer o mal, sendo assim não é onisciente.
– Enquanto onisciente e onipotente, tem o conhecimento de todo o mal, por ser onisciente, e o poder necessário para destruí-lo, sendo onipotente. Porém não o faz, concluindo-se que não é onibenevolente.

Pelas definições e determinações com termos os objetivos do próprio Epicuro deixarem as refutações simples mais difíceis de desenvolver um raciocínio pleno para refutar tal paradoxo, usei meios de pesquisa virtuais e encontrei então uma refutação, que considerei justa para começarmos.
Está diz que Deus é algo ou alguém que não pode ser posto nos mesmos parâmetros humanos, palavras como onipotência, onipresença, conceitos esses humanos, não são capazes de definir a grandeza de Deus, assim a mente humana é incapaz de classifica-lo em teus termos e muito menos desvendar tuas ambições e objetivos, isso refutaria a ideia do paradoxo, tirando Deus de uma possível discussão, já que a nossa lógica não pode ser aplicada.
Considerei vago e ao mesmo tempo intrigante, discordo de não podermos debater sobre Deus, até porque “Deus” não seria um termo humano? Mas por outro lado, imaginamos, descobrimos, encontramos ou nos foi revelado(?) um ser inimaginável, ou só queremos acreditar nisto?
E então, agora que já trouxe para você leitor a questão, como você refutaria Epicuro?

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