Um Rascunho Bobo de Como Comecei a Ler

Resultado de imagem para harry potter ea camara secreta

   Faz oito anos que terminei de ler meu primeiro livro. Como muitos, faço parte daquela geração que foi inspirado pelas milhares de páginas que J. K. Rowling escreveu e não daquela um pouco mais antiga que se formou nas páginas de Tolkien nem daquela ainda mais nova que tem como seu líder revolucionário o não pior Rick Riordan.
Meu primeiro livro não foi Harry Potter e a Pedra Filosofal, meu primeiro livro foi Harry Potter e a Câmara Secreta. Lembro que fuçando aquelas revistinhas mensais de produtos da AVON, uma pequena página do folheto havia sido cedida pra venda de livros em versões econômicas.

 

“Se alguém está procurando alguma coisa só tenho uma dica para dar, sigam as aranhas!”

Eu, que não via livros desde os meus anos de infância, vi na minha juventude uma figura que me era menos que alienígena, mas mais que estranha aos meus olhos. Como a criança que era, fiz o que continuo fazendo já não sendo mais tão criança assim: Apontei e disse: “Não sei direito o que é isso, mas eu quero”.

Alguns meses depois, minha mãe me trazia na sacolinha da AVON o Harry Potter e a Câmara Secreta e o Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban. Hoje me pergunto como puderam dois livros tão bons conviverem entre os cosméticos da AVON e hoje me lembrarem o cheiro de infância… Enfim, foram dois livros que ficaram encostados em algum espaço vazio de um guarda-roupa qualquer na casa da minha avó . Seiscentas páginas escondidas em algum lugar daquela casinha que escapulia por quatro casas de ser uma palafita. No entanto, eu tinha mais o que fazer, meus personagens do RPG online não se upariam sozinhos e eu precisava coletar mais moedinhas pra comprar novos machados pra minha guerreira: a delicada e temível babyunique (não me perguntem de onde veio o nome).

“O famoso Harry Potter! Não pode nem entrar em uma livraria sem parar na primeira página!”

Dezessete horas de computador depois, três xingamentos proferidos por minha mãe para que eu desligasse o computador, um chinelo atirado digno de um SuperBowl e tínhamos um resultado: Cada hora que eu passasse no computador seriam punidas com 10 páginas do Harry Potter que havia sido comprado e esquecido.
Confesso que eu não era bobo, mas era viciado. Engolida as lágrimas – não vou romantizar – corri para ler o livro e poder ficar mais uma hora batendo naqueles malvados Monters Birds que dropavam Meteoros. Aliás, esses meteoros eram entregues para o Blacksmith (uma espécie de ferreiro) que deixava meu machado mais forte. Que diabos de jogo eu jogava? Eu matava pássaros que tinham meteoros que faziam meu machado mais forte! Insano, meu irmão!

“O medo de um nome só faz aumentar o medo da própria coisa!”

Li por 10 minutos as 6 primeiras páginas de uma história que parecia completar muito bem aquele filme que eu havia visto alguns anos atrás. Até que não era tão ruim… Eu conseguia ler cada página em 5 minutos, então em 20 minutos eu já teria lido as dez páginas – pois é, eu era péssimo em Matemática, mas as contas pareciam bater e eu estampei o sorriso no rosto. O computador seria meu novamente e eu faria com que aqueles monstros experimentassem o fio do meu machado.
Enfim, 10 páginas depois e eu pensei: Bem, se eu for jogar por uma hora, não será suficiente pra upar a babyunique do level 42 para o 44 (eu precisava do level 44 pra pegar uma quest na outra cidade do jogo – e eu já tinha, inclusive, o pergaminho de teletransporte – chupa, aparatar). Então, se eu lesse mais 20 páginas, eu poderia jogar por três horas.
No final do dia, eu havia lido 60 páginas e decidi que deveria ir dormir pra ler mais no dia seguinte.

Mas quero que saiba que Hogwarts estará aqui para ajudar a todos que pedirem!

É o que eu faço até hoje.
Obrigado por ler até aqui.
Keep reading, boys!

Add a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *